Barbarian Alien || Ruby Dixon

Imagine ser arrancada da sua realidade junto com outras onze mulheres, tendo como destino um mundo implacável onde o ar que você respira tem um preço: aceitar um simbionte que escolhe companheiros.

A primeira escolha dele é clara: seu par ideal não é apenas um alienígena, mas o maior, mais intimidador e letal de todo o grupo de resgate. Se o perigo tivesse um rosto, seria o dele. Você fugiria ou aceitaria o chamado? Porque eu já estou com as malas prontas para essa aventura.😁


Sinopse: Para Liz, o simbionte não era uma salvação, era uma invasão. Ela não estava pronta para deixar algo mudar quem ela era, e fugir parecia o único jeito de manter sua identidade intacta. Mas Raakosh tinha outros planos.

Ao perceber as intenções dela, o alienígena mais perigoso do grupo de resgate decide tomar as rédeas da situação. Forçando o vínculo e levando-a para um refúgio isolado, ele ignora todas as regras para mostrar a Liz uma única verdade: ela pode até tentar fugir dele, mas seu corpo e o simbionte já sabem que eles pertencem um ao outro.

"Tudo o que sei é que estou ressoando por uma das humanas que está morrendo e, se ela morrer, levará consigo todas as minhas esperanças e sonhos."

Desde o fim do primeiro livro da série Ice Planet Barbarians, uma pulga atrás da minha orelha não me deixa em paz: o sentimento de potencial desperdiçado. Como mencionei na resenha do livro que abre as postas deste mundo (clique aqui para conferir), a autora desatou o nó principal da trama com apenas uma linha; uma solução rápida demais para um perigo tão grande. Isso me deixou pensando sobre como, em um planeta tão escasso e com um grupo de sobreviventes tão restrito, ela pretende manter o fôlego e a diversidade ao longo de tantos livros? Afinal, manter o frescor em uma saga que ultrapassa os 20 volumes não é uma tarefa simples e este é apenas o segundo.

Embora a Ruby Dixon tenha mantido aquela capacidade magnética de me prender, confesso que a direção tomada em Barbarian Alien me pareceu um tanto arriscada. A autora é muito boa em criar mundos e nos deixar curiosos para explorá-los, mas aqui houve uma mudança clara de ritmo, já que saímos da construção épica do primeiro livro para um território muito mais íntimo e restrito. Se antes tínhamos a exploração de um planeta gelado e suas peculiaridades como isca para nossa curiosidade, agora o foco se volta para a exploração minuciosa de uma parceria. É um livro muito mais focado na tensão da "ressonância" e no casal, o que acaba sacrificando um pouco daquela ambientação rica que tanto me encantou no início.


Além disso, devido à escolha da premissa, grande parte da obra acaba sendo carregada apenas pelos protagonistas, com poucas aparições de personagens secundários. Isso faz com que a história siga de forma muito retilínea, sem aquelas quebras de ritmo ou o alívio cômico que outras dinâmicas trariam. Algo que talvez não fosse um problema se um dos dois possuísse uma personalidade mais engraçada, que complementasse a do outro. Mas não é o caso aqui. Eu gostei bastante do sarcasmo que a Liz apresentou no primeiro volume e teria sido ótimo se isso tivesse permanecido, mas houve uma alteração nítida.

Então, se de um lado temos um Raakosh silencioso e reservado; do outro temos uma Liz... desagradável, que acabou sendo o maior obstáculo para a minha conexão com a história. A oscilação da protagonista é muito gritante, pois ela abandona o humor do início para se tornar uma figura amarga que inferniza a vida de todos ao redor. As ofensas gratuitas ao Raakosh, mesmo depois de todo o cuidado dele, transformaram a leitura em um exercício de paciência. Ela pode até ser a heroína perfeita para quem busca mulheres resilientes, mas é o pesadelo de quem não tolera ingratidão ou falta de reconhecimento pelo valor do outro. Se não fosse pelo Raakosh, eu teria abandonado o barco. Mesmo com suas limitações, ele foi o coração da história, movido apenas pelo desejo de proteger. Para ser sincera? Ele aguentou muito e ainda foi simpático, porque a Liz não chegou aos pés do que ele merecia. Ele foi o único motivo para eu não fechar o livro antes da hora.

"Talvez tenha sido porque eu nunca tive um companheiro ou um amor. Presumi que ninguém me queria."

Embora o desfecho tenha acertado em cheio ao fazer Raakosh enfrentar as consequências de seus atos, o final foi um pouco decepcionante. Motivo? O aparecimento dos personagens secundários foi um balde de água fria. É raro eu dizer isso, mas que grupo difícil de engolir! Todos pareciam estar em sua pior versão, até mesmo os protagonistas que me encantaram no primeiro volume. Para completar, a Liz resolveu abraçar a imaturidade e preferiu manipular a situação em vez de resolvê-la. Algo que me fez precisar respirar fundo muitas vezes para terminar.

Bem, não dá para ganhar todas, não é mesmo? Até agora, este volume foi o que menos me conquistou. O brilho do casal atual acabou sendo ofuscado pela introdução dos protagonistas do terceiro livro, que parecem ter muito mais potencial. Foram eles que me deram uma pequena dose de ânimo para seguir em frente, dessa vez com as expectativas mais ajustadas.

Quanto ao gênero, se o primeiro volume ainda deixava dúvidas sobre o tom da série, este chega para colocar as cartas na mesa: o erotismo é o protagonista. Não que o livro seja apenas uma sucessão de cenas quentes, mas fica claro que elas possuem uma importância que acaba ganhando mais peso do que os próprios dramas e perigos enfrentados pelo casal.

Gosta de tramas claustrofóbicas, onde o foco é a sobrevivência e a tensão de dois estranhos dividindo o mesmo teto (ou melhor, a mesma caverna)? Então dê uma chance a este livro. Ele ainda só está disponível em inglês, mas encare isso como parte da aventura: mergulhar em um novo idioma enquanto explora um novo planeta.

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