Ice Planet Barbarians || Ruby Dixon
Pela segunda vez, Ruby Dixon prova que é impossível ler apenas um! A autora tem um dom raro de nos transportar para dentro da história; fui completamente fisgada por uma escrita e um enredo que não me deixaram largar o livro.
Sinopse: Georgie Carruthers nunca deu crédito a teorias de vida fora da Terra... até acordar no porão metálico de uma nave alienígena. Cercada por outras prisioneiras e vigiada por guardas de intenções sombrias, ela lidera uma fuga desesperada que termina em desastre: um pouso forçado em um planeta desolado, coberto por neve e perigos desconhecidos.
Sozinha na imensidão branca para buscar socorro, Georgie é capturada por algo que nunca imaginou. Vektal é azul, imponente e possui chifres que desafiam a lógica, mas é o modo como ele a olha que mais a preocupa. Ele não a vê como uma invasora, mas como sua companheira. Agora, Georgie precisa decidir: aceitar a ajuda desse guerreiro bárbaro e arriscar ficar presa para sempre, ou enfrentar a morte certa no gelo?
"De agora em diante, até que meu espírito deixe este plano, não haverá ninguém para mim além dela."
Percepções: Depois de terminar esta leitura, entendi perfeitamente por que todo mundo lá fora recomenda esta série da Ruby Dixon. A escrita dela tem um magnetismo raro: ela pega uma premissa que pode parecer comum e a transforma em algo impossível de largar! O diferencial está na humanidade dos personagens; Dixon foca em detalhes tão reais que é impossível não pensar: Eu agiria exatamente assim. É uma leitura rápida e surpreendentemente autêntica.
Mas... antes de mergulhar nessa jornada, precisamos alinhar as expectativas. Se você conhece a autora por obras publicadas anteriormente no Brasil, como Lua em Touro, prepare-se para uma mudança de tom. Ice Planet Barbarians não perde tempo e introduz temas sensíveis e uma carga dramática muito mais pesada logo no primeiro capítulo. Por isso, preste atenção ao aviso de conteúdo sensível.
Outra expectativa a ser alinhada é que a série é predominantemente um romance erótico, com mais de 20 títulos focados abertamente na sensualidade. Mas, mesmo para quem, como eu, costuma evitar o gênero, a qualidade narrativa é surpreendente. É uma obra tão bem escrita que o enredo consegue sustentar o interesse e manter o leitor genuinamente investido no que vem a seguir.
Quanto ao hot... bem, se eu achava que o esteriótipo de que "brasileiro é o povo mais limpinho do mundo" era exagero, esse livro me provou o contrário. É impossível ler os primeiros capítulos sem querer prender a respiração. Eu nem ia tocar nesse assunto, mas o trauma foi verdadeiro: a protagonista passa duas semanas em uma nave, sem banho e usando um balde como banheiro. O cheiro é descrito, o caos é real, e aí o mocinho aparece e... decide que um "banho de gato" nas partes íntimas é a melhor forma de começar o romance. Gente, eu tive arrepios; e não foram os bons!
O que realmente me fisgou de início foi a construção da barreira linguística. Nos primeiros capítulos, a autora utiliza um "facilitador" de forma estratégica; que serve como ponte para situar o leitor sobre o destino das mulheres sequestradas e as reais intenções dos alienígenas.
Contudo, a magia acontece quando essa conveniência é retirada de cena. Ver Georgie lutando para se fazer entender enquanto mergulha em uma cultura totalmente estranha traz um realismo delicioso e gera desentendimentos genuínos. Porém, o encanto quebra quando a narrativa sucumbe ao clichê da conveniência. Dixon acaba caindo na armadilha da mediocridade, introduzindo um recurso fácil que ignora todo o esforço de comunicação construído até ali e esvazia o peso da jornada dos personagens.
A autora foge do clichê ao tratar o encontro entre espécies com a seriedade que ele merece, com a prevalência do instinto de sobrevivência puro. Gostei de como a obra descarta o conforto e mostra que viver em um planeta gelado é uma luta constante e nada satisfatória. Algo que mantem os personagens (e o leitor) sempre no limite do possível.
Dixon mergulha o leitor em um cenário implacável, onde o clima hostil e criaturas bizarras são apenas o começo. O verdadeiro terror, porém, é o pesadelo de qualquer viajante espacial: estar preso em um mundo onde o simples ato de respirar é uma sentença de morte. A única saída é um pacto arriscado com o khui, um simbionte local que se aloja junto ao coração. Mas a até mesmo isso tem um preço alto. Com o oxigênio se esgotando, resta às protagonistas uma escolha impossível: aceitar um hospedeiro que ditará seu destino biológico ou enfrentar o fim solitário no vazio do planeta.
A obra ainda equilibra bem a tensão constante pela sobrevivência neste planeta com a urgência sufocante pelo retorno dos sequestradores. O que intensifica o perigo é a vulnerabilidade do povo de Vektal: diante de uma ameaça tecnológica superior, a ausência de recursos avançados gera uma sensação de desamparo que nos deixa roendo as unhas a cada página.
E quando o momento mais aguardado finalmente chega... o tombo é grande. É frustrante ver um potencial tão alto ser simplesmente descartado. Ao notar as poucas páginas restantes, cheguei a acreditar que a autora guardaria a resolução desse conflito para os próximos livros, sustentando o suspense. Infelizmente, ela preferiu entregar uma solução "morta", resolvendo de forma morna e apressada toda a expectativa que levou o livro inteiro para construir.
Porém, mesmo essa conclusão capenga não é capaz de tirar o brilho da leitura. A história está disponível apenas em inglês, mas se você não resiste a um romance intergaláctico, à jornada intensa de recomeçar do zero em um mundo desconhecido e àquele mocinho alienígena assumidamente possessivo, esse livro foi escrito para você!
%20(1).jpg)




Comentários
Postar um comentário