Nada - Janne Teller

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Resenha: Pierre Anthon está no sétimo ano e tem a certeza de que nada na vida tem importância. Por isso, ele decide abandonar a sala de aula e passar os dias nos galhos de uma ameixeira, tentando convencer seus companheiros de classe a pensar do mesmo modo. Agora, diante da recusa do menino de descer da árvore, seus colegas farão uma pilha de objetos que significam muito para cada um deles, e com isso esperam persuadi-lo de que está errado.
A pilha começa com uma coleção de livros, uma vara de pescar, um hamster de estimação... Contudo, com o passar do tempo, os participantes se desafiam a abrir mão de coisas ainda mais especiais. A pilha de significados logo se transforma em algo macabro e doentio, que coloca em xeque a fé e a inocência da juventude.
Após grande aclamação da crítica e inúmeros prêmios, Nada é considerado um clássico moderno, tendo vendido cerca de 240 mil exemplares na Alemanha e com direitos de tradução para 22 países. Printz Honor de 2011.


Sabe aquele livro que é considerado curto, que você acha que pode ter uma história juvenil e onde a própria capa te prega uma peça? Sim, meus caros. Foi exatamente o que esse livro fez comigo.

Como a sinopse diz, um único aluno, Pierre, em uma sala de aula decide mudar totalmente sua rotina ao notar que nada mais importa. Nada na vida tem qualquer sentido. Então, ele passa todos esses muitos dias em cima de uma árvore, gritando seus pensamentos para qualquer um que passe por ali e queira lhe dar atenção. Ou não. Para ele, isso também não importa.
Seus colegas de sala, sentindo que o garoto era um grande incomodo em suas rotinas, deixando ideias ruins surgirem e os fazendo notar que a vida não era tudo o que pensavam, se sentem absurdamente incomodados e tentam achar todas as maneiras possíveis para tirar Pierre de lá. Depois de entenderem que argumentos não serviriam, notam que juntar coisas para fazerem uma pilha de significados é a melhor maneira de mostrar ao garoto que muita coisa na vida tem importância, sim.

- É uma perda de tempo - gritou, um dia. - Porque tudo só começa para acabar. Você começa a morrer no instante em que nasce. E isso vale para tudo.


E é nessa ideia de juntar as coisas que, de pequenas roupas e objetos, as crianças começam a buscar no fundo de cada um o que realmente importa, e as coisas começam a sair de controle.
Vale dizer que a narrativa da autora é de uma simplicidade tão boa, que chega a ser fria e mostra claramente cada uma das personalidades das crianças ali representadas. De simples jovens, podemos notar a frieza que cada um leva ao exigir algo de alguém e começar a tomar atitudes intensas, todas pensando que estão fazendo isso por um bem maior, mesmo que esse "bem" seja rodeado de maldade.

Seguimos a narrativa mais pela visão de uma das garotas, Agnes, uma das muitas alunas da 7A. E, por meio dela, vamos notando as atitudes que os jovens começam a ter e como conseguem ser frios, cruéis e humanamente egoístas. Agnes em si tem todo o tipo de pensamento que visa tentar se livrar de algumas coisas, ao mesmo tempo que julga, mas não fala por medo...até sentir que tudo vai dar no mesmo.

Sempre que eu sorria e ria, me perseguia o pensamento de quantas vezes eu choraria com essa mesma boca e com esses mesmos olhos até que, um dia, eles não se abririam mais e, então, outros ririam e chorariam até serem também colocados sob a terra.


Não pensem que o significado de cada um se prende em coisas materiais. Não mesmo. Vou evitar me aprofundar para não dar spoilers e estragar o que realmente me deixou chocada em cada um dos pedidos. E vale notar que, mesmo depois de entenderem algumas coisas erradas, ainda se sentem satisfeitos e representados. Ai ai...

Em uma pesquisa interessante, achei a informação de que o livro foi banido na Escandinávia, na época em que foi lançado, lá para 2000. O que deixa claro como algumas pessoas e sociedades não estão abertos para ver a realidade do ser humano e até onde algumas pessoas podem ir para proteger uma ideia, ideal, ou simplesmente por precisarem estar certos.

Para concluir, a autora usa de crianças para nos mostrar algumas verdades humanas, enquanto eles mesmos vão aprendendo algumas coisas. As cenas são angustiantes, sim. Leia já com isso em mente. E, o final do livro é de uma surpresa tremenda, apesar que eu consegui ver onde tudo poderia dar no decorrer do livro e da personalidade de cada jovem apresentado. É um livro que te faz parar, pensar e questionar. Uma leitura que recomendo, sem dúvida.

- Morrer é fácil porque a morte não tem sentido. -gritava ele. - E a morte não tem sentido porque a vida também não tem. Mas divirtam-se. 


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