Sangue na Neve - Jo Nesbo

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“O que nos faz perceber que vamos morrer? O que acontece no dia em que nos damos conta de que não é apenas uma possibilidade, mas um maldito fato inevitável que a nossa vida chegará ao fim? É óbvio, cada um tem uma resposta diferente, mas para mim foi ver o meu pai morrer. Ver o quanto foi banal e físico, como uma mosca batendo no para-brisa. Na verdade, o mais interessante é: uma vez que chegamos a essas constatação, o que nos faz voltar a duvidar? Será que ficamos mais espertos?”
Lançado pela Editora Record, “Sangue na Neve” é o primeiro volume da série homônima (também conhecida como série “Olav Johansen”, nome do protagonista da trama). Escrita pelo norueguês Jo Nesbo, a história evidencia a dualidade da personalidade de Olav, um assassino que, pela vulnerabilidade de seu caráter, sente-se culpado por seus atos, da mesma forma que se satisfaz com os crimes.
Em pouco mais de 150 páginas, o autor conquista o leitor com uma trama sem enrolação, mas descritiva e cheia de detalhes. O passado do personagem é relatado com informações sobre o pai agressivo e a mãe alcoólatra dando a entender a origem problemática de Johansen; menções sobre o que se passa na mente do protagonista expõem sua inteligência, sua humanidade e seus pensamentos doentios; e lembranças de decisões boas e ruins na vida de Olav revelam o desenrolar e a construção de sua personalidade.
Apesar da complexidade do tema, a narrativa simples e em primeira pessoa facilita o entendimento do leitor. A história se passa em Oslo, na Noruega, o que transporta os acontecimentos e os personagens a uma realidade possível simplificando ainda mais o envolvente romance policial.
“Será que ficamos mais velhos e assustados à medida que nos aproximamos do fim? Ou será outra coisa qualquer? É como se um dia víssemos algo que não sabíamos que existia. Como se sentíssemos algo que não sabíamos ter capacidade de sentir. Como se ouvíssemos um baque oco ao bater na parede e nos déssemos conta de que pode haver um cômodo do outro lado. E se acende uma fagulha de esperança, uma esperança terrível, exaustiva, que nos consome e não pode ser ignorada. A esperança de que talvez exista uma rota de fuga da morte, um atalho para um lugar desconhecido. De que existe um sentido.”
Jo Nesbo ultrapassou a marca de 28 milhões de livros vendidos no mundo. São mais de 20 obras que conquistaram prêmios importantes. “Garganta Vermelha”, por exemplo, ganhou o título de Melhor Policial de Todos os Tempos, pelo Clube do Livro Norueguês. O escritor – e músico! – é considerado um dos mais influentes autores da Europa na atualidade. Seu romances e seus livros infantis destacam-se por suas tramas complexas e por seus finais surpreendentes, ambos criados de maneira direta, sem enrolação.
A Warner Bros. comprou os direitos da série “Sangue na Neve” para adaptá-la para os cinemas. A direção do sueco Daniel Espinosa é dada como certa e a produção e provável protagonismo será de Leonardo DiCaprio. A obra não será a primeira criação de Nesbo a virar filme. “Boneco de Neve” está em fase de realização e o longa metragem “Headhunters” estreou nas telonas em 2011. Os direitos autorais do livro e a renda do filme foram doados à Fundação Harry Hole, que ensina crianças de países subdesenvolvidos a ler e a escrever.
“Estava tão cansado que precisava dormir um pouco. Mas tão feliz que não queria fazer isso. Porque quando caísse no sono, esse mundo, esse mundo com o qual nunca me importei muito até agora, deixaria de existir por algum tempo. E, de acordo com um tal de Hume, o fato de até agora eu ter acordado toda manhã no mesmo corpo, no mesmo mundo, onde o que aconteceu de fato aconteceu, não era garantia de que a mesma coisa voltaria a ocorrer na manhã seguinte. Pela primeira vez na vida, fechar os olhos pareceu um risco.”

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