O Homem da Areia || E. T. A. Hoffmann



Darth Nyx por aqui, com dica de uma leitura considerada clássica e sem dúvidas, imperdível! ​O Homem da Areia, texto de E. T. A. Hoffmann, é uma história sombria e intensa, clássico alemão que mostra muito de como alguns autores inovaram ao trabalhar os contos. Hoffmann leva o leitor para uma mente assombrada por medos, uma realidade duvidosa e narradores que te envolvem a cada palavra.


Nathanael é quem começa a história, através de sua carta para o amigo de anos, Lothar, relatando sobre os terrores da infância e como a figura do Homem da Areia voltou a assombrá-lo. Quando pequeno, ele ouvia de sua mãe as histórias sobre a figura assustadora e mística do Homem da Areia, que visitava crianças que não dormiam no horário adequado, jogando areia em seus olhos e os arrancando para si. 


Nathanael lembra de um visitante misterioso que esteve envolvido com seu pai em negócios obscuros. O velho Coppelius, ele pode jurar que este não é só a figura do Homem da Areia, como o responsável pela morte do seu pai, e que está de volta como um vendedor que o persegue pela universidade, agora chamado de Coppola. 


Como resposta, temos também uma carta vinda de Clara, uma jovem racional e lúcida, que não só chama Nathanael para a realidade, como deixa explícito que está ali por ele. Ela é irmã de Lothar e está apaixonada por Nathanael, então busca usar seus sentimentos para tentar manter ele no seu melhor juízo. O que não funciona muito, já que seu amado está cego diante da situação.


Quando achamos ter entendido o rumo da história, Hoffmann nos apresenta um terceiro narrador. Inominável, dominando o texto e situando o leitor com um olhar mais distante da história sobre os acontecimentos. E daqui, seguimos para viver as experiências de Nathanael em seus momentos de lucidez e possível loucura. Em meio a sua poesia, sonhos febris e uma busca pela verdade que ele assume existir, e m poucas páginas, ficamos mais que envolvidos. 


Hoffmann tem um texto divertido, com palavras que não soam tão estranhas para nós, apesar de ser um conto escrito originalmente em 1817. Eu demorei mais na leitura para tentar acompanhar as loucuras do personagem do que para, de fato, ler a história. Usando de vários elementos de terror e gore como figuras sombrias e olhos saltando das órbitas, o texto foge do que geralmente esperamos ao ouvir falar de clássicos, já que sempre soa como algo sem vida e entediante.


A leitura foi proposta por uma das matérias da faculdade e a discussão em turma sobre o livro tornou ele bem mais intrigante. A atividade acabou levando praticamente a sala toda a fazer uma releitura da obra para buscar elementos mais modernos que, curiosamente, foram usados pelo autor. Eu praticamente devorei a história em uma segunda leitura, e fiquei realmente impressionada ao reparar como o Hoffmann elabora a personagem Clara, uma figura feminina, que é o ser que chama os outros personagens para a razão no texto, em um período, onde apenas os homens eram tidos como racionais.


A leitura é sem dúvidas imperdível para quem gosta de contos e quer experimentar algo fora do círculo comum contemporâneo. Apesar de não ser oficialmente classificado como uma fantasia, os elementos estão ali nas figuras sombrias e nos pesadelos vivos dos personagens, tornando a trama uma aventura impossível de largar.

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