The Weaver || Tiffany Roberts
Em The Weaver, é a vez de conhecermos melhor Rekosh, o vrix tecelão que se sentiu atraído por Ahmya, uma humana de descendência asiática, praticamente no instante em que colocou os olhos nela.
"Somos apenas fios. Sozinhos, facilmente cortados. Facilmente partidos."
Rekosh já havia aparecido em The Spider's Mate, mas ainda existia uma espécie de véu sobre ele. Conhecíamos sua presença, mas não seus pensamentos, seus sentimentos ou boa parte de sua história. Por isso, gostei de começar o livro acompanhando seu retorno a Takarahl. Aos poucos, temos alguns vislumbres de sua infância e da relação quase inexistente que manteve com o pai, pequenas informações que ajudam a preencher alguns espaços deixados pela trilogia anterior.
Mas existe um motivo muito específico para Rekosh voltar à cidade onde passou grande parte da vida. Ele está em busca de um presente de acasalamento para Ahmya.
Sim, um presente de acasalamento.
E, obviamente, nesse momento eu só conseguia pensar em uma coisa. Em que momento chegamos a esse ponto?
Não demora muito para percebermos que Rekosh abraçou de corpo e alma os sentimentos que nasceram tão rapidamente dentro dele. Para ele, parece não existir muita dúvida sobre aquilo que sente ou deseja. Ahmya, por outro lado, ainda está tentando compreender o mundo completamente absurdo no qual sua vida se transformou.
E não é pouca coisa.
A nave que deveria levá-la a outro destino nunca chegou aonde pretendia. Agora ela vive em uma casa na árvore, no meio de uma vila habitada por alienígenas aracnídeos e, como se tudo isso já não fosse suficiente, um desses seres parece particularmente interessado em sua companhia. Ainda assim, pouco a pouco, Ahmya começa a enxergar Rekosh de uma maneira diferente.
E foi justamente aqui que comecei a ficar um pouco confusa com a história.
Primeiro, pela velocidade com que Rekosh conduz essa relação. Estamos falando de um presente de acasalamento para uma mulher que, nos livros anteriores, foi apresentada como alguém com aracnofobia. Evidentemente, alguma coisa mudou dentro dela. O problema é que, conforme a história avança, comecei a ter a estranha sensação de que existiram interações importantes entre os dois que simplesmente aconteceram longe dos nossos olhos.
Mesmo considerando os meses transcorridos desde os acontecimentos de Bound, senti falta de acompanhar essa transformação.
Talvez essa ausência tenha me incomodado ainda mais porque venho da experiência de Ketahn e Ivy, uma relação que tivemos tempo de observar crescer, tropeçar, enfrentar barreiras e encontrar seu próprio caminho. Com Rekosh e Ahmya, eu queria justamente isso. Queria acompanhar aquele desconforto inicial dando lugar à curiosidade, depois à confiança, ao afeto e, finalmente, ao desejo.
Quando determinadas circunstâncias obrigam os dois a passar um tempo sozinhos no Emaranhado, fiquei animada. Até porque, convenhamos, os outros personagens pareciam fazer de tudo para impedir que Rekosh e Ahmya tivessem cinco minutos de paz juntos. Pensei que finalmente chegaria o momento de construir aquilo que eu sentia estar faltando.
Só que essa construção não veio como eu esperava.
Curiosamente, os próprios autores parecem reconhecer essa lacuna. Alguns pensamentos de Ahmya abordam justamente a falta de profundidade daquela relação, e isso amenizou um pouco minha sensação de que havia perdido alguma coisa pelo caminho. Mesmo assim, a dúvida permaneceu.
Os dois falam sobre sentimentos guardados há muito tempo, enquanto a própria linha temporal da história sugere que se passaram apenas três meses, sendo que durante um deles estiveram separados. Além disso, a mudança de Ahmya acontece rápido demais para mim. Em um momento, ela parece determinada a não se envolver romanticamente com um ser de outra espécie. Pouco depois, algo dentro dela simplesmente muda.
Eu consigo compreender o que o livro quer fazer. Só gostaria de ter vivido essa transformação junto com ela.
Talvez esse seja meu maior problema com The Weaver. Eu não precisava apenas saber que Ahmya estava apaixonada. Eu queria acompanhar o momento em que ela começou a se apaixonar.
Também tive a impressão de que os autores ficaram um pouco perdidos durante a construção dessa história, sensação que acabou encontrando algum eco na Nota do Autor. Existe carinho pelo livro e fica evidente o esforço colocado nele, mas, infelizmente, eu não consegui gostar tanto do resultado.
E olha que eu queria muito gostar.
Ainda assim, isso está longe de significar que desisti da série. Muito pelo contrário. Até porque certa aparição envolvendo outro possível casal foi suficiente para despertar toda a minha curiosidade novamente.
Outro ponto que pesou bastante na minha experiência foi a ausência de um conflito realmente presente durante boa parte da narrativa.
Logo nas primeiras páginas, a obra destrói aquela confortável sensação de que derrotamos o mal e agora todos viverão felizes para sempre. A morte de Zurvashi está longe de significar o fim dos problemas. A ascensão de uma nova rainha começa a transformar e purificar os ares de Takarahl, mas existe algo inquietante acontecendo por baixo dessa aparente tranquilidade. Rumores indicam que antigos seguidores de Zurvashi continuam por perto e que sua sede de vingança permanece tão viva quanto sua antiga lealdade.
Nesse momento pensei que estava tudo certo. Já sabíamos que esse assunto não poderia simplesmente desaparecer, e a trilogia anterior havia dado bastante espaço para conflitos desse tipo.
Então esperei.
E esperei mais um pouquinho.
Só que esse conflito demora praticamente oitenta por cento do livro para realmente aparecer.
E aqui está o problema. Não havia outro grande conflito sustentando a narrativa enquanto isso.
Por volta dos quinze por cento, o romance já parecia encaminhado e praticamente livre de obstáculos. A partir daí, a história entra em um ritmo bastante repetitivo, acompanhando Rekosh e Ahmya no Emaranhado enquanto os dois refletem sobre seus sentimentos, passados e vivem algo muito próximo de uma longa lua de mel.
“Você veste a seda mais fina já tecida. Feita para ecoar um mero fio de sua beleza. E tudo o que eu quero é arrancá-la do seu corpo.”
É justamente aí que mora minha maior decepção.
Porque esse não parecia ser um casal destinado a um romance fácil.
Muito pelo contrário.
Entre todos os personagens que conhecemos até aqui, Rekosh e Ahmya pareciam ter justamente os ingredientes para uma das aproximações mais difíceis e interessantes. Havia medo, diferenças culturais gigantescas, barreiras físicas, inseguranças e até a aracnofobia dela. Existia tanto espaço para construir um romance lento, delicado e cheio de pequenos avanços que senti falta justamente daquilo que poderia ter tornado essa relação especial.
Ainda assim, quando cheguei às últimas páginas, percebi que meu carinho por esse universo continuava intacto.
A obra apresenta pequenos detalhes sobre os vrix que mostram o quanto ainda existe para descobrir. São costumes, comportamentos e diferenças culturais que podem parecer pequenas informações isoladas, mas que tornam esse mundo cada vez mais vivo. E talvez seja exatamente isso que continue me prendendo tanto a ele.
Já estou terminando o segundo livro e posso dizer que minha experiência está sendo diferente. Senti os autores encontrando novamente aquilo que tanto me conquistou anteriormente, o que me deixou ainda mais curiosa para continuar.
No fim, The Weaver não foi a história que eu imaginava para Rekosh e Ahmya. Queria mais tempo, mais construção e, principalmente, mais obstáculos antes de vê-los tão entregues um ao outro. Mas, mesmo com minhas frustrações, foi gostoso voltar para esse universo.
Porque aparentemente é assim que estou com os Vrix agora. Posso reclamar, questionar algumas escolhas e desejar que certas histórias tivessem seguido outro caminho, mas basta surgir uma pequena informação sobre sua cultura, um personagem conhecido ou uma nova possibilidade para eu querer ficar só mais um pouquinho.
E, sinceramente, acho que ainda vou querer muitas outras migalhinhas desse mundo.
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