A Hipótese do Amor || 2026
E talvez seja justamente por isso que uma ideia tão estapafúrdia quanto inventar um relacionamento comece a fazer sentido dentro da dinâmica delas. Não porque seja uma solução particularmente inteligente, convenhamos, mas porque conseguimos acreditar que Olive realmente faria algo assim por Ahn. Da mesma maneira, sentimos que Ahn não pensaria duas vezes antes de fazer alguma maluquice se acreditasse que isso pudesse tornar Olive feliz.
Essa conexão funciona muito bem graças ao roteiro, escrito pela própria autora do livro juntamente com Sarah Rothschild, mas também pelo entrosamento entre Reinhart e Marsh. As duas possuem uma química muito natural em cena e conseguem transmitir aquela intimidade confortável de uma amizade verdadeira. Em nenhum momento das atuações eu duvidei de que existia uma história entre aquelas duas, um carinho construído ao longo do tempo e uma amizade importante demais para ambas.
E eu gostei muito disso.
Porque o filme não precisa ficar nos dizendo o tempo inteiro que elas são melhores amigas. Por mais absurda que seja a situação que coloca toda a história em movimento, conseguimos acreditar nessa amizade, assim fica muito mais fácil embarcar em toda a loucura que vem depois.
Contudo, porém, entretanto e todavia… onde o filme acerta na amizade, ao meu ver, acaba tropeçando justamente no romance.
E talvez essa tenha sido uma das minhas maiores frustrações, porque eu gostei muito da maneira como as personalidades de Olive e Adam foram transportadas para a tela. Os dois funcionam justamente por serem tão diferentes. De um lado temos Olive, com seu jeito ensolarado, espontâneo e cheio de vida. Do outro temos Adam, que é praticamente a rabugice em pessoa. E eu adoro esse tipo de dinâmica. Existe algo muito gostoso em acompanhar dois extremos se encontrando, principalmente quando percebemos que, apesar das diferenças, um acaba provocando mudanças no outro.
As interações entre eles conseguem mostrar isso. Olive vai encontrando espaço por trás das barreiras de Adam, enquanto ele oferece a ela uma presença que, aos poucos, deixa de parecer apenas conveniente. Como personagens, eu consigo enxergar perfeitamente por que os dois funcionam juntos.
O problema é que, romanticamente, eu não consegui sentir essa conexão entre os atores.
E, acreditem, eu queria muito.
Não sei dizer se parte disso vem da própria caracterização. Tom Bateman como Adam me pareceu mais velho do que deveria quando colocado ao lado de Lili Reinhart, enquanto ela, por sua vez, poderia facilmente passar por uma aluna do ensino médio em algumas cenas. Essa diferença acabou criando para mim uma sensação estranha, quase como aquelas histórias da adolescente apaixonada pelo melhor amigo do irmão mais velho, sabem?
Só que, pensando melhor, não acredito que seja apenas uma questão visual. Mesmo que a caracterização dos dois fosse diferente, ainda sentiria que existem algumas lacunas importantes na construção desse romance.
O filme dedica bastante espaço à carreira, às pesquisas e principalmente às amizades, algo que eu gostei muito. Porém, quando chega o momento de construir Olive e Adam como um casal longe dos olhos dos outros, senti falta justamente das pequenas coisas.
Faltaram aqueles momentos aparentemente bobos que fazem a gente perceber que duas pessoas começaram a gostar da companhia uma da outra. Uma conversa sem a necessidade de fingir um relacionamento. Um silêncio confortável. Uma vontade de prolongar um encontro que já poderia ter terminado. Aquele olhar que demora um pouquinho mais do que deveria. Qualquer coisa que mostrasse que, quando ninguém estava olhando, Olive e Adam ainda queriam estar juntos.
Por isso, eu não consegui comprar completamente aquela sensação de querer ter o outro por perto. Muito menos o desejo que deveria surgir junto com essa aproximação. Eu entendia racionalmente que aqueles dois estavam caminhando para se apaixonar, mas não conseguia sentir isso acontecendo.
E existe uma diferença enorme entre entender um romance e sentir um romance.
Talvez por isso a cena após a convenção não tenha provocado em mim o peso emocional que deveria. Na verdade, fiquei um pouco confusa. Até aquele momento, eu não havia sentido em Olive um desejo tão evidente por Adam e nem mesmo sinais fortes o suficiente de que os sentimentos dela haviam chegado àquele ponto. Parecia faltar alguma coisa entre uma etapa e outra.
E não coloco isso necessariamente sobre a atuação de Lili Reinhart. Para mim, o roteiro simplesmente não ofereceu espaço suficiente para construir esse sentimento. Do lado de Adam ainda recebemos algumas migalhinhas, pequenos momentos que deixam escapar que talvez aquilo já tenha deixado de ser uma brincadeira para ele. Mas, do lado de Olive, senti falta de acompanhar essa transformação com a mesma intensidade.
Já na reta final, a história ganha mais peso. A reviravolta muda completamente o tom da narrativa e Lili Reinhart consegue transmitir muito bem a carga emocional que uma situação de assédio sexual provoca em Olive. Aqui, sua atuação me convenceu justamente porque existe desconforto, medo, vulnerabilidade e uma sensação muito pesada envolvendo tudo aquilo. É um momento que quebra a leveza que acompanhava boa parte da história e nos lembra que Olive está enfrentando algo muito maior do que seus dilemas amorosos.
Por isso mesmo, senti ainda mais falta de uma resposta à altura do que aconteceu.
O roteiro coloca Olive diante de uma situação extremamente séria, mas parece ter pressa demais para deixá-la para trás. Eu entendo que seria uma situação difícil de provar e, particularmente, gostei dessa diferença em relação ao livro. O que me incomodou foi a sensação de que algo tão pesado acaba sendo suavizado justamente quando merecia mais espaço.
Depois de construir um momento tão desconfortável e doloroso, eu esperava que o filme permanecesse nele por um pouco mais de tempo. Que mostrasse melhor suas consequências, que permitisse a Olive processar o que aconteceu e, principalmente, que houvesse uma resposta narrativa proporcional à gravidade daquilo que acabamos de assistir.
Em vez disso, tive a sensação de que muita coisa acabou ficando por debaixo dos panos para que a história pudesse correr em direção ao seu final feliz.
E isso me incomodou.
Não porque eu não quisesse um final feliz. Depois de tudo, é claro que queria ver esses personagens encontrando alguma felicidade. Mas talvez eu precisasse de alguns minutos a mais antes de chegar até ele. Porque, quando uma história decide tocar em algo tão delicado, não basta apenas criar o impacto. Para mim, também é importante dar espaço para aquilo que fica depois dele.
Bem, no final das contas, não encontrei entre Adam e Olive a química que tanto esperava, mas ainda assim foi muito gostoso reencontrar esses personagens, rir com suas diferenças e descobrir uma nova versão de uma história que eu já conhecia. Talvez não tenha sentido aquele friozinho no estômago que gostaria durante o romance, mas encontrei outros pequenos encantos pelo caminho que fizeram a experiência valer a pena.
E acredito que quem chegar até aqui sem conhecer o livro possa se envolver ainda mais facilmente com os dois. Sem as inevitáveis comparações, talvez seja mais simples embarcar naquele namoro de mentirinha, se divertir com os extremos de suas personalidades e até não se incomodar tanto com a resolução menos enérgica do conflito final.
No fim, fica aquela sensação gostosa de romance de final da tarde. Daqueles que a gente escolhe quando quer algo leve, divertido e confortável para assistir, mesmo sabendo que algumas coisas poderiam ter sido melhor desenvolvidas.
Curiosamente, A Hipótese do Amor conseguiu me fazer gostar ainda mais de uma amizade que eu não esperava que fosse me conquistar tanto, mas não conseguiu me fazer sentir com a mesma intensidade justamente aquilo que deveria estar no coração de toda essa história.
O amor.
Talvez tenha faltado um pouco mais de tempo, alguns olhares demorados, pequenas conversas ou simplesmente mais momentos em que Adam e Olive pudessem existir juntos sem precisar convencer ninguém de que eram um casal. Ainda assim, foi bom encontrá-los novamente.
Não foi exatamente o romance pelo qual eu esperava me apaixonar, mas foi um reencontro que me deixou sorrindo quando os créditos começaram a subir. E, às vezes, para um romance de final da tarde, isso já é uma despedida bastante gostosa.
Contudo, nem tudo está perdido. Disponível no Amazon Prime Video, A Hipótese do Amor ainda tem mais história pela frente, já que sua continuação foi confirmada tanto nos livros quanto nas telinhas. Quem sabe não seja justamente a oportunidade de desenvolver melhor algumas das coisas que senti falta por aqui?
Por enquanto, resta esperar pelas próximas notícias e, claro, torcer para que esse reencontro não demore tanto a acontecer!
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