PARA SEMPRE SEU || ABBY JIMENEZ
Série Parte do Seu Mundo — livro 2 | Pode ser lido de forma independente
Oi, eu sou a Thai! 💕 Fiquei muito feliz com o convite para escrever sobre um livro que eu amo.
“Porque amar é estar presente. E eu estou aqui.”
Para Sempre Seu é uma história divertida e romântica, mas que também encontra espaço para falar de coisas muito mais delicadas, como ansiedade, medo de abandono e vulnerabilidade.
Briana Ortiz é uma médica de pronto-socorro que está vivendo uma fase nada fácil. Depois de descobrir uma traição do marido, ela está passando por um divórcio e assumiu praticamente o papel de cuidadora do irmão mais novo, Benny, que está com insuficiência renal e precisa de um transplante. Encontrar um doador compatível é ainda mais difícil por causa do seu tipo sanguíneo raro.
Como se tudo isso já não fosse suficiente, um novo médico chega ao hospital e faz Briana acreditar que a promoção para chefe da emergência, que ela tanto esperava, pode estar ameaçada.
O Dr. Jacob Maddox acabou de começar seu novo emprego e só não contava que as coisas sairiam tanto do controle a ponto de receber o apelido de Dr. Morte pelos próprios colegas. Por ter ansiedade social, Jacob tem dificuldade para conversar e se expressar, o que muitas vezes faz com que passe uma impressão completamente diferente de quem realmente é, parecendo grosseiro, distante e até arrogante.
Briana, claro, inicialmente não gosta dele. Afinal, além de ser o novo médico esquisito do hospital, ele também está concorrendo justamente ao cargo que ela queria.
"Eu estava cansada de clichês. Deus tem um plano. Tudo acontece por um motivo. O que não mata, fortalece. Não, não fortalece, e que se dane tudo isso."
A primeira interação entre os dois passa longe de ser ideal, e acho que é justamente esse começo conturbado que torna toda a construção do relacionamento tão especial.
Jacob sabe que, por conta da ansiedade, conversar pessoalmente com ela poderia apenas piorar as coisas. Então, decide colocar em prática algo que aprendeu na terapia: escrever sobre o que está sentindo. E é assim que nasce uma carta. À mão. Para Briana Ortiz. Em um papel caro.
E é aí que tudo começa a mudar.
Briana fica surpresa porque a pessoa que ela tinha interpretado como arrogante começa a parecer... completamente diferente. Ela responde. E eles passam a trocar cartas.
Confesso que as cartas foram um dos meus detalhes favoritos do livro. Achei muito bonito perceber como a comunicação entre os dois vai mudando quando encontram uma maneira de conversar que funciona para ambos. Aos poucos, aquela primeira impressão começa a desaparecer e dá lugar a duas pessoas realmente tentando conhecer uma à outra.
E não ficamos somente nisso.
Jacob também precisa lidar com uma situação complicada em sua vida pessoal: seu irmão está em um relacionamento com sua ex-namorada. Para evitar que a família pense que ele está sofrendo com a situação, Jacob inventa que está namorando alguém. Agora só falta encontrar essa pessoa.
E vocês já podem imaginar onde isso vai parar.
O que eu mais gostei na construção do casal é justamente o fato de que o romance não acontece de uma hora para outra. Da primeira impressão completamente errada nasce uma amizade, depois a confiança e, só então, algo começa a mudar entre eles. É uma construção gradual que permite que a gente conheça os dois antes de simplesmente torcer para que fiquem juntos.
"Não existe nada em mim que eu tenha medo de que você saiba."
Mas gosto de como nem tudo ao redor deles existe em função do romance. Briana, por exemplo, tem uma amizade muito gostosa de acompanhar com Alexis, protagonista de Parte do Seu Mundo. É uma relação cheia de apoio e cumplicidade e, para quem já leu o outro livro, é ainda mais especial reencontrá-la por aqui.
A relação de Briana com Benny também merece destaque. Ele é animado, simpático, brinca, provoca a irmã e continua sendo irmão antes de qualquer outra coisa. Essa dinâmica mostra muito sobre a necessidade quase automática que Briana tem de cuidar das pessoas que ama. E existe algo especialmente difícil em vê-la, sendo médica, diante de uma situação que simplesmente não consegue resolver sozinha.
Do lado de Jacob, gostei bastante da dinâmica com a família. Eles são mais expansivos, presentes e cheios de opinião, quase o oposto dele em algumas situações. Mesmo quando estar no meio de todo mundo pode ser difícil por causa da ansiedade social, fica claro o quanto ele ama aquelas pessoas.
"Acho que você deve querer o que todo introvertido quer: ser convidado, mesmo que não compareça depois."
O hospital também mostra outras versões dos dois. Briana é respeitada pelos colegas e próxima dos enfermeiros, enquanto Jacob chega tentando encontrar seu espaço e sendo completamente mal interpretado. Assim, conseguimos conhecê-los também como profissionais e pela forma como interagem com as pessoas ao redor.
Falando especificamente do Jacob, fazia tempo que eu não via um personagem com ansiedade social retratado com tanto respeito. A ansiedade dele não é usada como piada nem aparece apenas como um recurso para diferenciá-lo. Ela influencia suas relações e interfere em situações simples do cotidiano, mas não define quem ele é.
Isso também aparece na forma como Briana e Jacob se relacionam. Briana tem muita dificuldade em confiar nos homens porque, de diferentes maneiras, aprendeu que as pessoas que deveriam estar ao seu lado podem simplesmente ir embora. Então, mesmo quando Jacob demonstra ser completamente diferente, existe uma parte dela esperando que ele também vá embora.
"É difícil descobrir que a pessoa que a gente ama não tem o menor problema em botar fogo na nossa vida e ir embora."
Achei muito interessante acompanhar esse conflito porque ele não desaparece do nada só porque ela encontrou alguém legal. Existe medo, vulnerabilidade e aquela dificuldade de acreditar que você pode finalmente baixar a guarda sem que alguém use isso contra você. Jacob também precisa aprender a se permitir estar próximo de alguém sem acreditar que precisa ser outra pessoa para conseguir isso.
Eu gostei muito de ver como os dois encontram apoio um no outro sem que isso signifique que precisam se “consertar”. Eles aprendem a se enxergar, respeitar os limites um do outro e entender aquilo que o outro precisa.
Além disso, os diálogos são tão naturais e divertidos que, em vários momentos, eu esquecia que estava lendo um livro. E, claro, o Tenente Dan merece uma menção honrosa e todo o meu amor. ❤️ Confesso: sou suspeita para falar de qualquer livro que tenha um cachorro na história.
Por fim, uma mania minha: eu sempre leio a dedicatória, porque sinto que ela já entrega um pedacinho do coração da história. Aqui não foi diferente. Só que, quando você termina o livro, aquelas palavras ganham um significado completamente novo.
Não vou explicar o motivo porque acho muito mais gostoso descobrir durante a leitura, mas a dedicatória fala sobre alguém que esteve presente em momentos difíceis e sobre ser “inofensivo” para quem ama. Depois de conhecer esse casal, essa palavra deixa de parecer apenas uma escolha curiosa.
Ela passa a fazer sentido.
Fechei o livro com aquele sentimento gostoso de que algumas histórias não servem só para entreter, mas também para nos lembrar de que ainda existe gentileza, paciência e esperança, mesmo quando tudo parece difícil. Eu ri, me apeguei aos personagens, fiquei irritada com algumas escolhas e, principalmente, torci para que eles encontrassem um lugar seguro um no outro.
Abby Jimenez, você não erra. Eu leria até a sua lista de compras da Amazon.




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