Matcha às segundas-feiras || Michiko Aoyama


 

"Bom, estou em um santuário, então no momento eu me dirijo aos deuses. Provavelmente. Mas onde eles estão? Do lado de fora dessa caixa de ofertório onde eu joguei uma moedinha? No céu? Ou quem sabe..."

Darth Nyx por aqui, hoje trazendo uma leitura curtinha e agradável, daquelas que podemos aproveitar acompanhada de uma caneca de café, ou quem sabe do chá favorito! Matcha às segundas-feiras, de Michiko Aoyama é minha leitura especial para esse mês das mães. Escolhi esse livro justamente por ser uma leitura rápida, reconfortante e que conversa com a gente a cada página. 

Uma coisa recorrente em relatos de maternidade é a falta de tempo, o que torna preciosa qualquer oportunidade de ter um momento pessoal. Além disso, a visão de mundo se transforma; mudam as prioridades e os gostos, muitas vezes de forma permanente. Então, nada melhor do que vivenciar sob outras perspectivas!

Matcha às segundas-feiras nos leva por diferentes pontos de vista. Apresentados ao longo dos meses, os contos trazem pequenos vislumbres da vida dos personagens. A primeira pessoa que conhecemos é uma jovem que está vivendo um dia de azar, onde tudo parece dar errado. No entanto, ao entrar em seu café favorito, ela descobre que aquele, na verdade, é um dia especial e cheio de possibilidades. 

O Café Marble, que sempre fecha às segundas-feiras, naquele dia estava aberto, ostentando uma plaquinha que o anunciava como Café Matcha, com um menu especial e exclusivo para apenas esse dia. O misterioso dono, um senhor chamado Mestre, é uma das figuras icônicas que tornam a atmosfera do ambiente ainda mais especial, convidando quem entra a viver um momento único.

Cada capítulo se passa em um mês diferente do ano, e enquanto em fevereiro conhecemos um homem em busca de um presente para a esposa (que vimos brevemente como pessoas passeando apenas na primeira história), a trama de março nos apresenta para uma jovem mulher, dona de uma loja de lingeries feitas a mão. Ela reflete sobre como a influencia de sua mãe a ajudou a ter uma profissão, já que ela se apaixonou pela costura quando viu a mãe costurando uma camisa e a deixou brincar com retalhos.  

"Se minha mãe fosse daquelas que proíbem uma menina ainda em fase pré-escolar de manipular uma agulha por ser perigoso, provavelmente eu não teria hoje uma butique de lingerie e não estaria produzindo roupa íntima feminina. Experimentar a dor é também aprender a evitá-la."

A sequência, é uma jovem que está passando por uma grande despedida, já que terminou um noivado, e encontra com uma amiga para relaxar. Sua conexão com nossa história? Ela não só é uma cliente especial da butique de lingeries feitas a mão, como também é frequentadora do especial Café Marble. Como uma corrente, onde os elos vão se ligando um ao outro, somos levados na leitura por cada uma das histórias. Michiko consegue criar um fluxo que é envolvente e com uma prosa encantadora, que soa poética e ao mesmo tempo, cotidiana. 

O ambiente do café é quase que um porto seguro, fugindo da correria que seria o ambiente comum da cidade de Tóquio. Cada um dos cenários das histórias parece transmitir isso, uma bolha de calma e paz em meio ao caos.  

Quando comecei a leitura, senti que o livro pedia uma caneca de chá quentinha, e aproveitei que os dias estavam bem frios e fiz exatamente isso, enchi uma caneca de chá, desliguei o celular e mergulhei na leitura, me aconchegando e envolvendo com as vidas dos diferentes personagens que o livro apresenta. Foi uma experiência gostosa, que mesmo que não seja possível repetir sempre, valeu a pena para acalmar os ânimos. 

Recomendo bastante essa leitura também para quem gosta de tramas mais calmas, que tenham múltiplos pontos de vista e que te convide a desacelerar. Esse é um livro que aconchega, conforta e te faz pensar, mesmo sendo curtinho, é ideal para ser uma obra saboreada aos poucos, como um bom chá, ou lido com apenas uma sentada, assim como um bom docinho. Sei que já estou curiosa para ler outras obras da autora. E você, já conhece mais da escrita de Michiko Aoyama?

 

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