My Broken Mariko || Waka Hirako
Entre cinzas e memórias: o grito alto e tão silencioso de My Broken Mariko...
Olá, amores! Mila aqui e dessa vez trarei um mangá que acabei comprando sem ler sinopse, nada. A capa chamou atenção e o valor estava interessante e, por isso, quis arriscar. Agora, irei dividir com vocês a minha opinião.
Publicado no Brasil pela editora JBC em 2023, My Broken Mariko é um mangá de volume único escrito e ilustrado por Waka Hirako que aborda de forma intensa temas como depressão, suicídio e amizade.
A história começa de maneira abrupta e dolorosa: Tomoyo Shiino descobre que sua amiga Mariko se suicidou. A notícia não apenas abala a personagem, como também mostra uma relação marcada pela cumplicidade, mas também pelo peso dos traumas vividos por Mariko. Durante anos, Tomoyo foi uma presença constante na vida da amiga que sofreu abandono, abusos e carregava uma tristeza profunda. A perda não foi apenas de uma vida, mas de uma parte do passado que Tomoyo entendia ser parte de si mesma.
Movida pela dor e pela necessidade de dar um sentido ao que restou, Tomoyo toma uma decisão radical: roubar as cinzas de Mariko e sair em uma viagem com elas. Esse gesto, bem simbólico, acaba se tornando o guia da narrativa. O percurso que Tomoyo faz não é apenas geográfico, mas emocional. Ao longo da jornada, memórias compartilhadas voltam com força, lembranças de momentos felizes se misturam com a crueldade dos abusos que Mariko sofreu e me senti analisando uma linha entre amor, impotência, vulnerabilidade e arrependimento.
A arte de Hirako contribui para essa atmosfera de dor e afeto. O traço é simples, mas extremamente expressivo, carregando cada olhar, sombra e silêncio com peso emocional. Os espaços em branco e os momentos de pausa na narrativa transmitem a sensação de vazio e solidão que a protagonista sente, tornando a leitura quase sufocante em alguns pontos, mas sempre sincera. Não é uma visão romantizada da depressão ou do suicídio, e sim a tentativa de mostrar o impacto brutal que eles deixam em quem fica.
Um ponto que acho importante de trazer é que apesar dos pequenos flashbacks, de alguns momentos entre a amizade das duas, o foco da trama é pontuar como Mariko tinha uma personalidade que demonstrava facilmente a ausência de amor que ela tinha na vida dela. Apesar de desejos e alguns pequenos sorrisos, a trama toda é guiada por apontamentos do que havia de errado e não necessariamente os momentos felizes na amizade entre as meninas.
A jornada não é simples e a arte, por vezes um tanto bagunçada e exagerada, combina muito bem com os ápices emocionais que Tomoyo sente. Com a participação de poucos personagens secundários, o desfecho não traz respostas fáceis, mas conclui algo que espero que possam ler para entender já que é um tanto quanto agridoce, oferecendo uma sensação de aceitação parcial, como se a vida continuasse a pulsar mesmo com as marcas do luto.
O final tem um momento que me deixou na expectativa e mesmo que tenha sido um desfecho diferente do que eu esperava, passa a mensagem que pareceu querer deixar durante as páginas.
My Broken Mariko é um mangá que conversa especialmente com quem já vivenciou perdas ou que convivem com a dor de alguém em luto, mas também toca qualquer pessoa disposta a encarar uma narrativa profunda e sensível. Sua força está justamente na humanidade com que trata temas tão difíceis, lembrando que, mesmo diante do desespero e da ausência, o vínculo verdadeiro permanece. É uma leitura breve, mas que ficou dentro de mim por muito tempo depois de encerrada, deixando no ar a certeza de que algumas amizades são eternas, mesmo quando interrompidas.
Ou seja, algumas despedidas não se encerram na morte, mas continuam vivas na lembrança de quem amou e quer se lembrar.




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