Wolf Like Me || 2022 - 2023
Entre medos e segundas chances, o amor pode vir das mais variadas formas e nos momentos mais inesperados...
Olá, amores! Mila aqui e venho falar sobre uma série escondida que ninguém fala sobre e vale a indicação apesar de um final aberto devido ao tão temido cancelamento e pode ser assistida na Amazon Prime.
Wolf Like Me, criada e dirigida por Abe Forsythe, é uma daquelas séries que acabam surpreendendo por sua mistura de gêneros. Lançada em 2022 e concluída em 2023, com duas temporadas curtinhas (já que cada episódio gira em torno de 25 a 30 minutos) a produção combina drama, romance, humor e fantasia de um jeito que, à primeira vista, parece estranho, mas logo se mostra mega envolvente. O que poderia ter sido apenas mais uma história sobre pessoas emocionalmente quebradas encontrando conforto uma na outra, ganha um caminho inesperado quando entendemos que encontramos uma mulher-lobisomem tentando amar e ser amada sem destruir o mundo ao seu redor.
A trama acompanha Gary (Josh Gad), um pai solo que tenta lidar com o trauma da esposa falecida enquanto cria sua filha, Emma (Ariel Donoghue). Logo no começo podemos notar que ele vive preso a um ciclo de culpa, ansiedade e falhas constantes na tentativa de ter uma vida estável. Tudo muda quando conhece Mary (Isla Fisher), uma mulher gentil, caótica e profundamente marcada por um passado que ela teme revelar. A química entre os protagonistas se torna o ponto alto e emocional da série ao entregarem performances com vulnerabilidade, humor e um toque de absurdo com uma naturalidade que nos faz acreditar até no elemento mais fantástico da narrativa.
O grande mérito da série é tratar a licantropia não como um dispositivo de terror, mas como uma metáfora sobre medo, segredos, controle emocional e o desespero de ser aceito mesmo com tudo que tentamos esconder. Mary vive dividida entre o desejo de se abrir para um futuro afetivo e o medo intenso de machucar quem ama. Gary, por sua vez, mostra um lado dramático de um homem que está tentando desesperadamente confiar no mundo.
Ao longo das duas temporadas, Wolf Like Me mantém o foco nos personagens e nas relações entre eles, sem tentar expandir o universo de forma artificial. Pelo contrário, a série é gostosamente intimista, concentrada no que realmente importa: como dois adultos imperfeitos tentam conciliar suas dores, seus traumas e seus medos enquanto formam uma nova dinâmica familiar. Acredito que esse ponto mais fechadinho pode frustrar quem espera aprofundamento mitológico ou explicações científicas. Forsythe opta por não explicar tudo, e isso faz parte da proposta de expor que o “monstro” não é um ser sobrenatural, mas a soma das inseguranças e do passado dos protagonistas.
A conclusão da série, ainda que não entregue grandes reviravoltas ou explosões dramáticas, oferece coerência com tudo que foi construído até aquele momento. Sinto que Wolf Like Me nunca prometeu um épico sobrenatural e sua força está no pequeno, no íntimo, no emocional. O final mostra um pouco do que seria uma continuação perfeita e caótica, mostrando o que os personagens carregavam dentro de si como foco principal e, claro, nos deixando desejando por mais.
No fim, apesar do cancelamento cruel, Wolf Like Me é uma série para quem aprecia dramas emocionais com um toque inusitado. É para quem gosta de histórias que falam sobre cura, vulnerabilidade, segundas chances e para quem não se incomoda com o surreal entrando pela porta da frente para trazer significados maiores.
Não é uma obra feita para quem busca ação, explicações sobrenaturais detalhadas ou ritmo acelerado. É, acima de tudo, para quem entende que os monstros mais difíceis de enfrentar costumam ser aqueles que moram dentro de nós.
Para os curiosos, o trailer da primeira pode ser visto a seguir:




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