Juntos || 2025
Quando a dependência de amor se torna algo impossível de se desfazer...
Olá, amores! Mila aqui e irei falar sobre um filme que estava ansiosa para assistir. E dessa vez, falarei sobre mais um terror contemporâneo que utiliza de metáforas emocionais. Ou seja, ao invés de monstros palpáveis, casas mal-assombradas ou espíritos... o medo nasce das relações humanas, da intimidade, do desgaste, daquilo que se instala entre duas pessoas que já não sabem se ainda caminham na mesma direção.
É nessa vibe que Juntos (2025), dirigido por Michael Shanks, encontra sua força. Disponível na Amazon Prime Video, o longa aposta em um terror psicológico de atmosfera sufocante para explorar os problemas de um relacionamento que parece ter chegado ao limite.
Protagonizado pelo casal da vida real Alison Brie e Dave Franco, o filme acompanha uma dupla que decide se afastar da cidade em busca de reconexão. O que deveria ser um momento de renovação se transforma em uma experiência perturbadora, marcada por fenômenos estranhos que misturam o sobrenatural e a fraqueza emocional. Com cerca de 1h40, o filme constrói sua tensão de forma gradual, investindo em um desconforto persistente.
Conforme assistimos, fica claro que o isolamento escolhido funciona como extensão do isolamento afetivo. A casa onde se refugiam parece refletir ressentimentos acumulados e inseguranças que jamais foram discutidas. A fotografia fria e os enquadramentos fechados me deram a sensação de que há todo momento havia algo ali, no canto da tela, sugerindo que o perigo pode ser tanto externo quanto interno.
Alison Brie entrega uma atuação intensa, equilibrando vulnerabilidade e inquietação. Sua personagem carrega o peso de quem ainda tenta salvar algo que já pode estar perdido. Dave Franco, por sua vez, traz algo interessante já que o seu personagem oscila entre a negação e a agressividade passiva, criando um retrato realista de alguém que evita confrontar suas próprias falhas. Talvez por serem casados na vida real, a química entre os dois é um ponto alto do filme até nos momentos de maior estranheza.
E como qualquer bom terror psicológico, durante boa parte do tempo, fiquei me questionando se os eventos sobrenaturais eram manifestações de algo exterior ou apenas resultado do desgaste mental do casal. Dá para ver que o enredo e direção escolhem deixar algo mais sugestivo do que totalmente claro, o que para mim, não me incomodou em nada e atiçou a minha curiosidade.
Visualmente, "Juntos" evita excessos. Não há grandes cenas de efeitos chamativos; o horror aparece nas pausas prolongadas e dos olhares que dizem mais do que as palavras.
Entretanto, a recepção do filme foi atravessada por uma polêmica. Surgiram acusações de plágio envolvendo a semelhança de sua premissa com outro projeto de terror independente ("Better Half", de 2023). De forma sucinta, o processo judicial alega que a ideia central de um casal isolado enfrentando manifestações sobrenaturais que simbolizam a deterioração da relação, teria sido indevidamente apropriada. Tanto Alison Brie quanto Dave Franco foram citados na ação, embora a produção tenha negado qualquer irregularidade, apesar de alegarem terem apresentado o projeto ao casal em 2020, que tiveram a participação recusada por agentes. Até onde consegui pesquisar, a discussão permanece no campo jurídico, sem decisão definitiva, mas o debate adicionou uma camada de controvérsia à trajetória do longa.
O filme pode decepcionar quem procura sustos tradicionais ou explicações diretas. Não é um terror revolucionário, mas é competente ao explorar o medo como metáfora da intimidade falha. Seu maior acerto está em tratar o relacionamento como o verdadeiro campo de batalha, onde fantasmas são apenas a materialização de conflitos mal resolvidos. Acho que o roteiro poderia ter nos dado uma visão melhor de como o relacionamento do casal chegou no ponto em que estava, além do começo que oferece, mas o desenvolvimento acaba compensando isso.
Para quem se interessa por histórias onde o medo nasce do afeto desgastado, “Juntos” oferece uma ótima experiência inquietante e desconfortável, daquelas que nos faz julgar, supor e tentar decidir como agiríamos em uma situação parecida.
Na conclusão, o filme deixa mais perguntas do que respostas e talvez essa seja a intenção. O amor, afinal, não é uma algo simples e o filme sugere que insistir em permanecer “juntos” pode ser tão assustador quanto a ideia de se separar. É um terror que traz aquela sensação incômoda.
Para os curiosos, o trailer está logo abaixo:







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