Red Rose || 2022

 




Entre sussurros digitais e silêncios reais...

Olá, amores! Mila aqui e irei falar sobre uma série voltada para o público adolescente, mas com um tema muito importante.

Red Rose, série britânica de 2022 disponível na Netflix, traz a promessa de embaralhar o medo clássico do desconhecido com a paranoia muito atual sobre tecnologia. Criada por Michael e Paul Clarkson, conhecidos por seu trabalho em A Maldição da Residência Hill (The Haunted House of Hill), a produção entrega 8 episódios que misturam terror psicológico, suspense juvenil e um drama social mais profundo do que parece à primeira vista.

A história gira em torno de um grupo de amigos de Bolton, jovens que acabaram de concluir o ensino médio e estão tentando entender quem serão dali para frente. Esse período de transição que é cheio de atitudes impensadas, é o terreno perfeito para a aparição do aplicativo Red Rose, que começa como um jogo estranho e logo se revela uma força maliciosa que manipula, isola e destrói. É uma ideia que funciona porque dialoga com um medo muito real: a sensação de que estamos sempre entregando nossas vulnerabilidades a algo invisível.




A série tem como protagonista Amelia Clarkson (interpretando Rochelle), que conduz os momentos mais intensos com um misto de fragilidade e raiva contida. O elenco jovem que inclui Isis Hainsworth, Ellis Howard, Ali Khan, Natalie Blair, entre outros... se destaca pela naturalidade. Nada parece excessivamente ensaiado e o entrosamento do grupo vende bem a ideia de amizades reais, daquelas construídas entre corredores de escola, pequenas brigas e risadas que disfarçam inseguranças profundas.

Visualmente, a série aposta em uma estética cinzenta e claustrofóbica, com direção que usa a cidade de Bolton quase como um personagem, reforçando a sensação de confinamento. A fotografia, apesar de simples, é eficiente ao reforçar o clima de ameaça constante. O terror não está em criaturas nem em sustos gratuitos, mas na combinação de vigilância digital e vulnerabilidade emocional. Ou seja, o tipo de horror que parece possível em qualquer bairro do mundo.



Tecnicamente, a série acerta ao construir sua tensão de maneira gradual. Os primeiros episódios funcionam como um estudo sobre o grupo de adolescentes, preparando o terreno emocional para o caos que se instala depois. Quando o mistério começa a se revelar, o ritmo acelera e a trama adota um tom investigativo que dá conta de expandir o impacto do aplicativo para algo maior e mais organizado. Ainda assim, o ritmo de filmagem britânico é um tanto diferente, as vezes parecendo mais cru. Sem contar que alguns personagens se tornam bem secundários em uma trama que tem abertura para mais. Mas noto ser algo comum em séries com elencos grandes.

O final da temporada, cumpre bem o papel de fechar o arco principal enquanto deixa espaço para reflexões. É um comentário social que abriria espaço para uma continuação, mas também funciona sozinho como um alerta sobre o que acontece quando o mundo digital se mistura com inseguranças profundamente humanas.




No conjunto, Red Rose é não surpreende absurdamente, mas prende nossa atenção com um terror que não é sobrenatural, mas é totalmente atual. A série fala sobre luto, solidão, desigualdade social e a sensação de estar sempre exposto mesmo quando pensamos estar escondidos. É uma obra que não subestima seu público e que entende que os medos modernos raramente fazem barulho. Eles vibram silenciosamente no bolso, iluminados pela tela do celular.
Não esperem um super terror trabalhado. O clima é mais dosado, voltado para o publico juvenil e focando no lado mais dramático de todos os temas abordados.
Ou seja, indico para quem gosta de thrillers psicológicos adolescentes com mais densidade emocional, fãs de histórias sobre tecnologia sombria e quem aprecia tramas que misturam mistério, crítica social e tensão crescente.  

Para os curiosos, segue o trailer:



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