O Ritmo das Nossas Vidas - Axie Oh




Sinopse: Jenny sempre escolheu disciplina em vez de diversão. Isto é, até a noite em que ela conhece Jaewoo. Misterioso, bonito e um pouco atormentado, Jaewoo é exatamente o tipo de distração que Jenny normalmente evitaria. No entanto, ela se vê passando momentos inesquecíveis com ele, vagando por Los Angeles na última noite antes de ele precisar voltar para a Coreia do Sul. 

Com Jaewoo do outro lado do oceano, não adianta nem sonhar com o que poderia ter acontecido entre os dois. Mas, quando Jenny e sua mãe se mudam para Seul para cuidar da avó doente, adivinha quem ela encontra na academia de artes de elite onde acabou de ser aceita? Entrar na sala de aula e se deparar com o cara que roubou seu coração já seria notável, mas acontece que Jaewoo não é um estudante qualquer: ele é membro de um dos maiores grupos de k-pop do mundo. 

E, como a maioria dos k-pop idols, Jaewoo é estritamente proibido de namorar qualquer pessoa. Uma vez que um relacionamento entre os dois significa não só comprometer o futuro de Jenny na escola de música de seus sonhos como também colocar em risco tudo pelo que Jaewoo trabalhou para chegar aonde está, ela tem que decidir de uma vez por todas o quanto está disposta a arriscar por amor.

Darth Nyx está começando as leituras de 2026 e que tal fazer isso curtindo um livrinho super suave de romance?! Uma das minhas primeiras leituras foi O Ritmo das Nossas Vidas, da autora Axie Oh.

Com uma história que lembra muito o ritmo dos dramas coreanos, misturada com uma trama juvenil bem sessão da tarde, Axie Oh nos apresenta um casal improvável ao juntar Jenny, uma violoncelista que está prestes a começar a carreira acadêmica com a música, e Jaewoo, um jovem ídolo do K-Pop.

Escrito com poucas páginas, o livro é uma abertura para um universo complexo e bem diferente do que nós estamos acostumados, principalmente aqui no Brasil. Durante a leitura, existiram vários momentos em que ficou bem claro como a diferença cultural é gigantesca entre brasileiros e coreanos.

Jenny, a nossa protagonista, é filha de pais imigrantes coreanos. Nascida e criada nos Estados Unidos, ela aprendeu a amar a música graças a seu pai, que era dono de um Karaokê com seu tio. Ela cresceu cercada pela disciplina intensa da mãe e pela paixão do pai com a música e que, infelizmente, faleceu quando ela ainda era bem nova. É aí que ela transforma seu amor pela música em técnica, se tornando habilidosa no violoncelo, mas como dito em suas avaliações, faltando um pouco de vida.

Já Jaewoo é um garoto que conquistou o sonho de muitos jovens coreanos, a fama. Ele é um idol conhecido, recebe o amor dos fãs e consegue oferecer o melhor para sua mãe e irmã, porém sente que algo está faltando, mesmo sem saber o que é. E por acaso, numa tarde onde tudo poderia ter se perdido, ele acaba conhecendo Jenny, uma garota que vai contra tudo o que ele espera, nem mesmo sabe quem ele é e tira dele todo o ar dos pulmões.

A autora constrói uma trama crível ao colocar Jenny em uma situação que a leva até a Coreia do Sul, o que faz nossa protagonista ir estudar seu último ano em Seul, tendo a oportunidade de se conectar com um lado seu que jamais pensou que teria chance de explorar. Confrontando a americana com a realidade de se interessar por alguém que carrega o peso da fama de Jaewoo, Jenny vai precisar aprender bem mais do que vestir um uniforme, já que tudo pode significar o fim para bem mais do que o romance deles.

É nesse ponto que surge um dos questionamentos mais debatidos no universo dos fãs de k-pop: o fato de seu cantor favorito ter um relacionamento realmente incomoda? Em teoria, não a ponto de virar as costas para ele ou desejar que perca tudo pelo que trabalhou e se dedicou. No entanto, quando se trata da cultura do k-pop, essa discussão assume contornos bem diferentes.

Considero importante que essa discussão esteja presente em uma obra juvenil, especialmente ao abordar o cyberbullying e expor como a fama pode se tornar algo profundamente destrutivo para jovens. Há ainda o fator cultural: ao escolher esse caminho, muitos entendem que suas vidas passam a pertencer ao público. A obra, então, amplia o debate ao questionar até que ponto essa exposição constante pode ferir não apenas quem vive a fama, mas também as pessoas ao seu redor.

Os personagens paralelos são tão incríveis quanto, mostrando caminhos diversos que provavelmente veremos se desenvolver na continuação. Temos opiniões e culturas diferentes, mas principalmente uma linda demonstração de amizade, com Sori e Jenny aprendendo a respeitar o espaço uma da outra e gostar uma da outra com o tempo. 

A autora cria uma atmosfera juvenil e escolar que nos faz desejar que esses jovens tenham liberdade de se apaixonar, viver e sorrir abertamente. Mas ao mesmo tempo, temos como contraste todas as responsabilidades deles, seja com os estudos e o futuro, como também com a própria imagem. Estamos em um mundo digital onde qualquer um pode tirar uma foto sua e lançar na internet, época onde o cyberbullying é tão comum quanto o bullying comum e no contexto cultural coreano, uma foto pode acabar com carreiras antes mesmo delas começarem. 

Com uma delicadeza intensa, o livro consegue conquistar, sendo suave, doce e ao mesmo tempo, bem jovem. Foram as páginas iniciais que certamente deram tons de céu rosado e cheio de esperanças para 2026 e já estou na busca de ler a continuação, O Amor de Nossas Vidas, que também foi lançado pela Editora Naci.

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