O Despertar da Lua Caída || Sarah A. Parker
Nesse mundo corrompido, as luas brilham com a memória daqueles que se foram. E é com o despertar de uma delas que a mudança começara.
E aqui estamos nós! Euzinha, Darth Nyx, trago para vocês um livro que fez parte do nosso projeto de leitura conjunta. Quem nos acompanha notou que a Mila já compartilhou as impressões dela sobre 'A Contadora' e, agora, chegou a minha vez de falar sobre O Despertar da Lua Caída!
Escrito por Sarah A. Parker, o livro é uma fantasia intensa que apresenta um universo intrincado, onde dragões e o poder dos elementos emanam diretamente de seus criadores. Em meio a esse cenário épico, conhecemos Raeve: uma jovem assassina movida pela vingança, um caminho que promete levá-la a lugares inimagináveis. A autora fundamenta esse universo em cinco seres criadores: Caelis (Éter), Bulder (Rochas e Terra), Rayne (Águas e Chuva), Ignos (Chamas) e Clode (Ventos). Para facilitar a compreensão, pense no sistema de Avatar: A Lenda de Aang: as pessoas possuem conexões com um ou mais desses elementos. No entanto, o lado sombrio desse mundo se revela na desigualdade, já que alguns reinos tratam os moradores sem afinidade elemental com total desdém e falta de dignidade.
É nesse cenário que mergulhamos na história de Raeve. Mais do que uma assassina treinada, ela carrega um segredo perigoso: a habilidade de ouvir a canção dos ventos de Clode e das rochas de Bulder. Ela domina as palavras ancestrais para manipular esses elementos (e sim, galera, a vibe Avatar: A Lenda de Aang aqui é fortíssima e muito bem construída).
Particularmente, esse plot já seria o suficiente para me manter presa às páginas, mas a autora foi além e nos presenteou com um romance envolvente. Um homem misterioso, que parece conhecer Raeve de outras eras, entra em sua vida determinado a ficar. Kaan, que possui afinidade com Ignos e Bulder, não é apenas atraído pela órbita da nossa assassina; ele mergulha em um jogo perigoso, onde segredos e passado se confundem.
Diferente do que poderíamos esperar, Raeve não se entrega fácil e passa longe de se impressionar com Kaan. Focada em sua missão e na vingança por aqueles que perdeu, seus objetivos não se turvam, por mais forte e encantador que ele seja. Em contrapartida, a autora nos entrega o ponto de vista de Kaan, revelando um amor do passado que faz tudo ganhar sentido, e se tornar muito mais difícil, com a presença de Raeve.
A construção de mundo ganha vida com uma gama de criaturas incríveis, desde seres feéricos até dragões magníficos! Sarah A. Parker nos apresenta espécies únicas: os Ceifassabres, resistentes ao calor; os Fundíferas, que possuem bicos, penas e se adaptam a qualquer clima; e os Plumaluas, comuns em locais frios e escuros. Mas o toque de mestre é o ciclo de vida dessas criaturas: quando partem de forma natural, elas sobem aos céus e se tornam luas petrificadas. O perigo real surge quando a magia se desequilibra e uma dessas luas cai, espalhando destruição por onde passa.
Além de todo esse universo fantástico, os personagens secundários são um show à parte. Temos a princesa guerreira Veya, que rouba a cena em cada aparição, e o carismático Pyrok, que pode não ser o guarda mais eficiente de Kaan, mas certamente é o que mais nos diverte. A autora equilibra perfeitamente o tabuleiro: de aliados promissores a vilões que já mostram a que vieram. O recado é claro: ninguém vai facilitar a vida de Raeve ou dar trégua às esperanças de Kaan.
Entre reinos, festas, viagens no lombo de dragões e os mistérios das luas caídas, as mais de 500 páginas voam sem que a gente perceba. Minha única ressalva é justamente o excesso de informações; em certos momentos, a sensação é de que algum detalhe importante pode estar escapando. Tanto que, quando um personagem específico foi citado no final, precisei parar um pouco para lembrar de onde ele tinha surgido. É um universo vasto que exige atenção total.
Fantasias sempre trazem esse desafio, já que nos apresentam universos inteiros do zero. Sinto que muitos autores sofrem para dosar o que mostrar e como narrar esse mundo magnífico sem cansar o leitor. Para o meu paladar, a Sarah deixou o livro no limite do caos, mas ainda assim apreciei o conjunto da obra. Gostei demais da leitura e preciso destacar a edição impressa: é lindíssima, com uma pintura lateral que conversa com a história e uma capa com detalhes em hot stamp maravilhosos! A editora Harlequin me conquistou com a diagramação impecável.
E deixo aqui o meu SUPER PARABÉNS às tradutoras Carolina Candido e Gabriela Araújo, que conseguiram trazer a obra para o nosso idioma sem perder a essência especial que a autora criou no original. Traduzir um universo tão complexo não é fácil, e elas deram um show.
Um alerta interessante: se você prefere evitar momentos íntimos explícitos, vale saber que o livro tem conteúdo hot. Foi uma surpresa para mim; fiquei espantada com a quantidade, já que não esperava por isso na trama. No mais, é uma leitura intrigante que me deixou muito ansiosa pela continuação.




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