Ensnared || Tiffany Roberts
Reler Ensnared foi, mais uma vez, uma experiência maravilhosa. Não importa quantas vezes eu mergulhe nessa leitura, Tiffany Roberts sempre consegue me conquistar com a construção desse mundo e com personagens que nos deixam ansiosos por saber mais sobre eles e sobre os rumos dessa jornada.
Este é o primeiro volume da série The Spider's Mate. Precisei reler porque, com a correria da vida, acabei não terminando a série da primeira vez, e a curiosidade sobre o que havia acontecido não me deixava em paz. Ainda mais porque a autora criou outra série com personagens que transitam por esse mesmo universo, e as fanarts inspiradas neles são cada uma mais linda que a outra. Então, preciso urgentemente colocar essa leitura em dia.
O mais curioso é que, mesmo depois de tanto tempo desde a primeira leitura, encontrei-me voltando várias vezes às partes que mais amei. E isso só fez crescer meu carinho por essa história e por uma "aranha" que, apesar da minha aracnofobia, conseguiu roubar meu coração.
Quando comecei esta história, não sabia muito bem o que esperar. A capa e a sinopse não me entusiasmaram de início, mas os comentários sobre a trilogia eram sempre muito positivos. E, como sou uma amante de monster e alien romance, por que não arriscar, não é mesmo?
Posso te dizer que essa foi uma das melhores decisões que já tomei como leitora. Até hoje esse livro permanece no meu top 3 de histórias desse subgênero. O motivo é simples. Roberts fez um trabalho excepcional na construção de um mundo rico em detalhes e espécies, povoado por seres fascinantes e, o que mais me surpreendeu, dotado até de um vocabulário próprio. Eu não esperava tanto cuidado assim, e fiquei encantada.
Devorei a história inteira e, no fim, ainda fiquei sonhando em encontrar um aracnídeo só meu. Já li outros livros de romance com aliens, e quase todos traziam a mesma aparência, humanoides de academia, com corpos sarados e lindos de babar. Por isso, encontrar um protagonista que fugisse desse estereótipo e se assemelhasse a uma criatura da qual tenho pavor foi, sem dúvida, um verdadeiro ato de bravura da minha parte.
"Agora você é minha, minha nyleea. Minha companheira. O fio do meu coração."
Outro ponto que chamou minha atenção é que, geralmente, as autoras não se aprofundam nas dificuldades de comunicação entre seres de mundos e espécies diferentes. Aqui não é o caso. Ketann e Ivy enfrentam não apenas a barreira linguística, que se esforçam juntos para superar, mas também diferenças culturais e sociais profundas. A autora não sustenta essa abordagem até o final do livro, mas, enquanto dura, é simplesmente deliciosa, e eu adorei cada momento dela.
Quanto aos personagens, Ketahn é extremamente fofo e cuidadoso. Sou do tipo que se apaixona facilmente pela personalidade, então ele me conquistou sem a menor dificuldade. A história começa mostrando sua interação com os amigos (personagens que já me deixaram louca de vontade de ler os próprios livros), trazendo momentos leves e descontraídos; com sua irmã de ninhada, revelando aquele laço familiar que existe, mas ainda guarda certa distância; e com Zurvashi, que carrega consigo a constante sensação de ameaça à integridade dele. Esses momentos nos permitem conhecer a fundo a sociedade Vrix e seu funcionamento. A autora constrói tudo isso com uma densidade que só aumenta nossa curiosidade sobre o que está por vir.
"Cada ato seu de rebeldia, Ketahn, serve como prova de que você deve ser meu companheiro. Apenas você é digno de tal honra."
Aos poucos, a narrativa desliza suavemente para o romance, com a chegada de Ivy despertando a curiosidade de Ketahn. E é impossível não se apaixonar por ela, uma humana que acorda do sono da criogenia nos braços de uma aranha gigante (gritos internos). Ivy tem um humor leve, reações genuinamente críveis, e compreende a situação em que se encontra nesse novo mundo, adaptando-se à nova realidade sem nos submeter a acessos de birra irritantes pelo caminho.
Acompanhamos o sentimento de amizade se transformando lentamente em algo mais, levantando questionamentos morais e até religiosos sobre se envolver com Ketahn seria certo ou errado. Afinal, mesmo sendo ambos seres racionais, há muitas diferenças físicas, biológicas e culturais entre eles que não podem ser ignoradas.
"Esse pensamento o prendeu por muito tempo, mas era um fio prestes a se romper — a cada dia, ficava mais fino e frágil, e o fato de Ivy ser humana importava um pouco menos."
Falando em diferenças, a autora se inspirou no dimorfismo sexual presente em algumas espécies de aranhas para construir a sociedade dos Vrix, na qual as fêmeas são maiores e mais agressivas que os machos. Então, se Ketahn já impõe respeito com seus dois metros e meio de altura, imagine sua irmã de ninhada e Presa da rainha, Ahnset, que ultrapassa os três metros (rindo de nervoso aqui).
Esta é aquela história que comecei rezando para não se tornar um pornô aracnídeo, e tive uma grata surpresa. Isso significa que não há cenas quentes? Não, elas existem, mas em uma quantidade muito menor do que eu esperava. O final traz um gancho daqueles que vão te deixar ansiosa(o) pelo próximo volume, então já vá garantindo o seu.
Disponível apenas em inglês, Ensnared é para quem busca um romance sem complicações, mas com a mente aberta para características físicas fora do comum. Esqueça as quelíceras, a quantidade de patas, olhos e fiandeiras. Se apaixonar por Ketahn é um caminho sem volta.
— Se tivesse, eu teria usado meu último suspiro para garantir que ela se engasgasse.”
Situação emocional desta leitora após leitura:






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