Um Toque de Morte - Luiza Salazar

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Sinopse: Pode me chamar de Kat. 
Eu daria tudo para ser apenas uma jovem universitária, preocupar-me com os assuntos discutidos nos trens, nos corredores das escolas, nas ruas: qual roupa vestir na festa, qual o futuro da política do país, quem vai ganhar o jogo esta noite. É, você entendeu.
Mas na minha cabeça só há espaço para uma preocupação: quem será a minha próxima vítima.
Eu sou uma Ceifadora. Isso significa que posso matar com um simples toque das mãos, um dom que desejava todos os dias não possuir. Mas quando aqueles dois estranhos apareceram na minha vida e fizeram tudo virar de pernas pro ar, comecei a entender que existem pessoas que fariam de tudo para controlar esse meu poder indesejável. Até mesmo me matar. É até irônico, né?
Um Toque de Morte é um romance fantástico de Luiza Salazar, uma aventura pelas sombras que se escondem nos becos da cidade.
Não se deixar envolver, não se aproximar demais. Essa é a maldição dos Ceifadores, não poder sentir o mundo com a própria pele.


Aha! Mais um livro da parceria com a Editora Draco, e preciso dizer que foi uma daquelas surpresas muito boas! Uma escolha entre algumas que a editora nos deu esse mês, e preciso dizer que logo no começo do livro a história já me prendeu rapidamente.

Acompanhamos a história de Katherine Brown, uma menina que tem a infeliz capacidade de tirar a vida de qualquer pessoa ou animal, em segundos. Ela não sabe por quê é assim ou de onde isso tudo surgiu, mas sabe que tem que tomar cuidado enquanto vive sua vida crescendo em um orfanato, totalmente sozinha.

“Hoje em dia eu sou o que algumas pessoas chamam de Ceifadora. Adorável, certo? Isso basicamente significa que eu posso, não, que eu mato tudo em que encosto. Simples assim. Adeus normalidade.”

Porém, a parte de ser uma garota aparentemente indefesa, acaba ai. Kat, como gosta de ser chamada, tem planos para um futuro longe de New York pois, apesar de amar sua amiga Rebecca que sempre a ajudou sem pensar duas vezes, lhe dando onde morar e a ajudando com tudo, ela sabe que seu pequeno "dom" a impede de criar muitos laços e morar em um local tão cheio de pessoas. E, para juntar o dinheiro necessário para começar uma nova vida, Kat trabalha com O Chefe, alguém que sabe do que ela é capaz e sempre lhe dá nomes de pessoas que clientes esperam que ela mate. Já vale citar que Kat é uma personagem divertida, irônica, que tenta rir da própria desgraça e que te faz querer acompanhar cada situação com ela.

" Engraçado como é sempre um “dom”, se não é com você."

Como toda boa história juvenil, a garota se vê conhecendo dois garotos na escola, que parecem ter sérios problemas entre si, mas insistem em chamar sua atenção. Com essa pequena disputa que começa a surgir, Kat se vê em um mundo com mais perguntas  do que ela esperava, onde uma grande decisão precisa ser tomada e ela definitivamente entende que ser sozinha seria muito, muito mais fácil.

O livro parece simples, certo? Mas não é. Kat entra em um mundo onde ser uma Ceifadora é algo muito raro e ela se vê no meio de seres sobrenaturais como ventríloquos e metamorfos. O enredo não te deixa em momento algum com tédio, mesmo com seus altos e baixos.
E, apesar do mundo criado pela autora ser muito bem construído e disputas serem super bem explicadas... tem apenas uma coisa que eu tenho dúvidas até agora: os olhos de todas as pessoas com algum poder especial. Katherine cita seus olhos violetas, assim como os de outras pessoas que vão surgindo em sua vida. Porém, não me lembro de qualquer explicação sobre o por quê disso e se pessoas "normais" também conseguem ver os olhos dessa maneira. Ela se classifica como uma garota isolada, estranha e que muitos preferem se manter longe, mas ainda fico na dúvida se eles podem ver esse detalhe nela ou não.
Tirando isso, o livro é cheio de respostas que vão sendo mostradas aos poucos e a personalidade da personagem acaba me deixando um pouco tensa, esperando que ela reaja mais ou seja mais esperta em alguns momentos. Ainda mais quanto a própria amiga que parece ter problemas e ela só aceita deixar para lá.
Ponto alto para como a autora desenvolve os personagens. O livro é escrito em primeira pessoa, mas toda a personalidade e maneira como os outros são e lidam com tudo fica muito bem definido, te fazendo amar e odiar facilmente.
Para os que esperam um romance forte, sinto dizer...isso não irá acontecer. Mas o livro oferece muito da personalidade das pessoas e como o ser humano pode agir para conseguir o que quer, do melhor ao pior.

" Por que alguém iria querer fazer isso? Por que alguém ia querer ser medíocre, trabalhar em uma empresa medíocre, aguentar as luzes falsas de escritórios todos os dias, as festas com os vizinhos que você não suporta e os amigos que mal suportam você? Essa ideia sempre me assustou mais do que a morte. A morte eu consigo aceitar. É a vida morta que me assusta. " 

O livro prende muito mais nos momentos finais e é de tirar o fôlego. O mesmo termina de uma maneira absurda, te fazendo desejar o segundo volume o quanto antes. Alguns podem odiar a maneira abrupta com que o livro se encerra, enquanto eu só fiquei mais e mais curiosa para saber o que acontecerá com cada um dos personagens que, de uma maneira ou outra, acabamos criando um certo vínculo.

“Ter o controle sobre a morte é uma responsabilidade enorme e você vai passar o resto da sua vida tendo que tomar cuidado com as pessoas que vão querer te usar, não importa qual lado você escolha.”

Para quem quiser saber, o segundo volume se chama Um Beijo de Morte, e já está disponível para compra no site da editora, bem AQUI.
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